Mural Inbox: Discriminação, o preço alto do arroz e os R$ 250

A Newsletter da Agência Mural de Jornalismo das Periferias

Em 21 de março, foi celebrado o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, data criada após o assassinato de 69 sul-africanos em 1960, que protestavam contra as leis de segregação: o Massacre de Sharpeville.

Datas como essa ajudam a relembrar o quanto ainda somos um país repleto de preconceitos, assim como os avanços surgidos por conta da mobilização das populações pretas e periféricas no Brasil.

De um lado, o impacto da Covid-19 nas periferias, em um país onde o aumento de mortes atingiu mais a população negra, é um triste exemplo disso. Abordamos ano passado por que os bairros com mais pessoas negras são os que registram o maior número de vítimas. Além disso, há todos os outros tipos de violência que essa população sofre diariamente.

“Brasil que se diz livre, mas que ainda se norteia por ações que negam aos descendentes de escravizados uma vida com direitos e oferece uma existência marginalizada”, escreveu Lucas Veloso no blog Mural ao abordar o “torto arado” das periferias

Mas há outro lado. Podemos perceber o aumento da presença de estudantes negros e negras nas universidades públicas, que, pouco a pouco, mudam as perspectivas dessas instituições e, além de tudo, trazem novos conhecimentos para a academia. Um livro lançado na última semana reúne relatos desses alunos e alunas das periferias.

É também o caso dos artistas, que ainda estão conseguindo produzir mesmo em tempos difíceis de pandemia. Caso da Fit Rose, que lançou uma música esta semana, e falou sobre ser drag queen na periferia. “Na sociedade, em geral, a gente precisa lidar com o preconceito, e na periferia não é comum as pessoas verem drags no dia a dia”, conta. 

São pequenos alentos em um ano em que as perspectivas de melhora ainda são pequenas.

POR QUE ESTÁ TÃO CARO?

Desde o final do ano passado, se alimentar ficou mais caro no Brasil e afetou quem perdeu o pouco que tinha durante a pandemia. Mas por que ficou tudo tão caro? Preparamos um material especial para explicar passo a passo como funciona a inflação e o que tem acontecido com os preços de alimentos como o arroz. Enquanto o preço da comida está em alta, o mesmo não foi visto com o salário mínimo.

E o auxílio emergencial também caiu. Depois de três meses, foi aprovado o valor de R$ 250, que só deve ser pago a partir de abril. Para mães solo são R$ 375 — 68% a menos do que o valor do ano passado, quando elas recebiam R$ 1.200.

Mas além da pandemia, outras dificuldades atingem as periferias. Em Perus, na região noroeste de São Paulo, as enchentes e os ventos fortes de fevereiro deixaram estragos. Uma associação do bairro estima que 150 famílias tenham sido afetadas e alguns seguem sem moradia.

CLÃS FAMILIARES

Imagina que o Presidente da República tem um familiar como presidente da Câmara dos Deputados. Esse tipo de manobra não é incomum no poder municipal. Na Grande São Paulo, três prefeitos conseguiram emplacar parentes no comando da Câmara Municipal que, em tese, deveria fiscalizar o executivo.

Em uma delas, o irmão de um prefeito que teve a candidatura barrada assumiu o comando da cidade.

EM SALVADOR

Entre os impactos da pandemia em Salvador está a queda de doações para projetos que realizavam trabalhos sociais. Um deles é uma creche em Nazaré, que cuida de crianças com HIV. Para driblar a crise financeira, por outro lado, empreendedores da cidade têm apostado em ovos de páscoa salgados.

Em uma ponte Rio-São Paulo- Salvador, a Agência Mural participou de um especial sobre o coronavírus da Maré Notícias, iniciativa da Rede das Marés, que cobre a região do complexo com 16 favelas cariocas.

A correspondente de Amaralina em Salvador, Laís Lopes, e o de Guaianases em São Paulo, Lucas Veloso, deram depoimentos sobre a situação de seus bairros na pandemia.

No Data_Labe, reportagem aborda a bissexualidade nas periferias para entender onde o bicho pega quando se faz parte da letra B na sigla LGBTQIA+.

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Edição: Paulo Talarico
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