Mural Inbox: entre igrejas e desapropriações

A Newsletter da Agência Mural de Jornalismo das Periferias

E aí, jovem! Dentro do possível, tudo bem? Chegamos a junho. Quase metade de 2021 e a nossa força está como?

Por um lado, o cansaço da pandemia, de um governo em que “ninguém sabe o que faz, ninguém sabe para onde vai” (como narraria Galvão Bueno), e com as periferias como principais vítimas desse momento.

Ao menos, as manifestações do dia 29 deram a sensação de que há muita gente em busca de mudança. E não é de agora que as periferias sabem que dependem de si para promover essas transformações e para reduzir as desigualdades.

As reportagens dos últimos dias mostram que falta muito para isso.  

IGREJAS E A PERIFERIA

O aumento da população evangélica no Brasil é um fato que vem sendo visto desde o começo dos anos 1990. Mas qual é o impacto dos templos nas periferias? Em reportagem especial, conversamos com especialistas e mostramos esse movimento das igrejas nas bordas da cidade.  

Com o apoio do Pindograma, site de jornalismo de dados, soubemos que regiões como Cidade Ademar (zona sul) triplicaram o número de igrejas ao longo da última década. De um lado, moradores apontam o papel social de muitas delas, mas de outro, também falam das questões políticas por trás dessa presença, que influencia na vida das comunidades. 

Outro ponto é que essas igrejas são proprietárias de terrenos, como um na zona norte, onde nasceu a ocupação Penha Brasil. Nesta semana, houve reintegração de posse no local onde viviam centenas de pessoas.

Nos últimos meses, conversamos com famílias que foram para lá, pela falta de condições para pagar o aluguel - situação agravada com a pandemia e a queda do auxílio, o que levou ao aumento de favelas na capital ou de pessoas vivendo embaixo do viaduto.

A propósito, você se lembra quando colocaram pedras embaixo do viaduto na zona leste de São Paulo, onde moradores de rua ficavam? Bom, depois de críticas à situação, a prefeitura voltou atrás e retirou as pedras, o que custou R$ 48 mil. 

Esse valor só foi informado após insistentes tentativas via Lei de Acesso à Informação, mostra reportagem da Agência Mural em parceria com a Folha. A prefeitura alega que a empresa que retirou as pedras vai arcar com as despesas, mas não explicou o porquê. 

Outra preocupação constante na nossa cobertura é a fome. Há algum tempo temos visto a preocupação de entidades que atuam nas periferias sobre a queda de doações de alimentos, em especial no final do ano passado. Foi nesse tempo que um dos principais serviços para a população de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, foi interrompido. O Bom Prato fechou para reformas. 

O local servia 1.800 refeições a R$ 1 e passou a oferecer apenas 300, em um momento em que a falta de renda para comprar comida se tornou uma das principais preocupações da região. Nas últimas semanas, o governo anunciou a volta do espaço e fomos ouvir os moradores sobre como foi difícil conseguir comida após o fechamento do local.

AUXÍLIO MUNICIPAL

A Prefeitura de SP tem pago R$ 100 como auxílio emergencial para famílias em situação de vulnerabilidade. Mas estudo aponta que a gestão poderia investir mais no programa e que isso traria benefícios à cidade, mostra reportagem do 32xSP, site em parceria da Agência Mural com a Rede Nossa SP.

EM SALVADOR

Em Salvador, mototaxistas têm vivido dificuldades para circular em meio à pandemia. Combustível em alta, benefícios limitados e menor movimento de passageiros nas ruas geraram prejuízos aos profissionais regularizados na capital baiana.

Em Sussuarana, contamos as histórias de mães solo que têm se desdobrado para conseguir manter o sonho de cursar uma universidade. As reportagens fazem parte da cobertura da Mural em Salvador.

CUIDADO NO WHATSAPP

Para fechar, fizemos um pequeno guia para ajudar a evitar que você caia no golpe do WhatsApp.

A Agência Mural é uma das participantes do Mídia Jor 2021, realizado pelo Portal Imprensa. Este ano, o projeto abordou o trabalho jornalístico para as futuras gerações.  

“A gente não está acostumado a ver carro de reportagem na rua, e, quando vê, é normalmente porque uma coisa ruim aconteceu. Isso alimenta essa visão de que só tem coisa ruim na periferia. Se tem uma história legal, a gente não ganha visibilidade. A mídia tradicional se alimenta muito das mídias alternativas, ela usa a gente quase como pauteiro” - Aline Kátia Melo, correspondente da Jova Rural, na live Comunicação e Quebradas, realizada pela Biblioteca Comunitária Leia Bem no Horto. 

O Nós, Mulheres da Periferia fez uma reportagem sobre mulheres que lutam contra a violência de estado pelo mundo, trazendo a situação do Jacarezinho, da Palestina e da Colômbia e o que une esses territórios.

Nesta semana, a conta do Nós no Instagram foi invadida logo depois da cobertura das manifestações pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Nossa solidariedade ao Nós!  

Obrigado por chegar até aqui!

Agência Mural tem como missão minimizar lacunas de informação e contribuir para a quebra de preconceitos sobre as periferias. Se quiser nos apoiar, só clicar no botão acima para saber como. Nos últimos dias, lançamos uma nova fase do nosso programa de apoiadores, o Tijolo por Tijolo. Vem saber mais!

Obrigado a todos e todas.

Edição: Paulo Talarico
Contato: paulo@agenciamural.org.br
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