Mural Inbox: Obrigado por estar conosco em 2020

Newsletter da Agência Mural de Jornalismo das Periferias

Durante 2020, muitas atividades tiveram de ser à distância, mas estivemos juntos na cobertura das periferias | Magno Borges/Agência Mural

Esta newsletter é uma rápida retrospectiva sobre 2020 e um agradecimento. Um agradecimento para você que nos acompanhou ao longo deste ano difícil e que sempre apoiou o jornalismo feito pelas e para as periferias.

É também um aviso de que teremos uma pausa (necessária), a partir desta sexta-feira (18), para voltar com ainda mais energia no dia 11 de janeiro de 2021. Estamos preparando novidades para o próximo ano, quando o jornalismo precisará ser mais vigilante com o agravamento da crise sanitária e as difíceis perspectivas que se desenham.

Afinal, 2020 foi de luto, um ano de muitas tristezas e de muita solidariedade nas periferias. E aqui nos solidarizamos com todos e todas que viveram esse período expostos à pandemia.

Foi também um período importante em avanços para a diversidade na política, na sociedade e no jornalismo. Cada vez mais, mais vozes têm cobrado seu lugar e conquistado espaço. Que essas vitórias cheguem mais longe em 2021. E obrigado por fazer parte dessa rede e ajudar nessa construção de uma sociedade mais diversa.

12 meses

Quando relembramos o começo do ano, parece que faz tanto tempo, não é? Janeiro começou com o congelamento do preço do ônibus na capital, mas com 17 cidades da Grande São Paulo com tarifas mais caras do que a capital. Foi em 2020 que Parasita foi escolhido o melhor filme do Oscar, e uma enchente que afetou as periferias da região metropolitana lembrou cenas do longa-metragem. Fevereiro ainda teve carnaval com uso de materiais recicláveis e várias estações da CPTM sem acessibilidade — cenário que mostramos na reportagem especial “Passos sem fim”.

Em março veio a confirmação da pandemia e o começo da quarentena, quando contamos a história do estagiário Rafael Fernandes, de Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital, que cumpriu isolamento em casa por suspeita da doença. Logo, o vírus da desigualdade ficou em evidência com a dificuldade de se isolar em casas de um cômodo só e famílias numerosas, dificuldades para conseguir comida, assim como a letalidade nas periferias se mostrava mais grave do que a média nacional.

Era abril, mostramos como Heliópolis e Paraisópolis faziam para lidar com o problema. Foi nesse momento também que fizemos o Em Quarentena, um podcast diário, enviado pelo WhastApp, criado para nos aproximarmos ainda mais das periferias.

Mas, e as pequenas comunidades da cidade? O especial “Favelas Invisíveis”, em maio, evidenciou como diversas regiões da capital tiveram dificuldade para conseguir se manter e se proteger do vírus.

Por outro lado, as redes de solidariedade nas periferias mais uma vez foram decisivas e ajudaram a arrecadar alimentos. Na Favela do Colombo, um projeto gerava renda para costureiras e doava máscaras para os moradores. No dia das mães, publicamos um livro com receitas caseiras e também tivemos histórias de moradores recuperados da Covid-19.

Apesar disso, junho mostrou que a situação era grave. A metade do ano chegou com sepultadores sob pressão, mais de 10 mil vítimas só na Grande São Paulo. Professores e alunos penavam com as aulas online e o desemprego era um problema em meio às dificuldades de acessar o auxílio emergencial. Nesse período, também começava um plano de reabertura da economia — o Plano SP.

Em julho, entregadores fizeram um protesto por melhores condições de trabalho e líderes comunitários temiam o impacto da reabertura dos comércios. No mês de agosto, já era possível observar que as mortes por Covid-19 atingiam mais fortemente os bairros de maior população negra, enquanto reportagem de setembro apresentou um raio-x da terceirização da saúde na capital.

No mês de outubro, mostramos como crianças imigrantes, os catadores excluídos do auxílio emergencial e os artistas das periferias foram outros exemplos de pessoas afetadas pela crise sanitária. Além da pandemia, outubro e novembro também foram marcados pelas eleições municipais.

Durante a votação, falamos da diversidade e da dificuldade das mulheres que disputaram as eleições sem apoio, dos candidatos LGBTQIA+, da corrida eleitoral em cidades sem imprensa, que são desertos de notícias. Os resultados das eleições mostraram a reeleição de prefeitos e antigos nomes na Câmara de SP, mas também uma renovação com mais mulheres negras.

Dezembro chegou. O número de casos de Covid-19 voltou a ter uma alta considerável e, nesta quinta-feira (17), quase 70% dos leitos de UTI da Grande São Paulo estavam ocupados. A situação ainda preocupa. Mas um sopro para pensar em 2021 são as dez histórias contadas no especial “Crias da Quebrada”, com jovens que têm atuado por uma nova perspectiva nas quebradas.

EM SALVADOR

Também em dezembro, publicamos reportagens do projeto da Agência Mural com correspondentes locais de Salvador. Nesta semana, mostramos com um rio em Cajazeiras virou área de lazer, mas acumula reclamações sobre lixo. Também abordamos como moradores de Pernambués têm enfrentado dificuldades para controlar a diabetes no meio da pandemia.

As publicações foram também ao ar nos jornais A TARDE e Massa!, veículos do Grupo A TARDE, um dos principais de Salvador.. 

“Participar do programa possibilitou ampliar a cobertura das periferias realizada pela Mural no ano em que completamos dez anos. É muito significativo para todos nós que fazemos parte dessa rede contar novas histórias e contribuir para que as periferias sejam mais ouvidas e mais visíveis em todas as cidades do país”, Cíntia Gomes, diretora institucional, sobre o programa Acelerador de Comunidades do Facebook.

Nesta quinta-feira (17), a Mural foi uma das iniciativas premiadas com um financiamento adicional por conta do projeto piloto em Salvador.

O que as mulheres das periferias esperam para 2021? Foi essa a pergunta do Nós Mulheres das Periferias para entrevistadas ao longo deste ano. Confira.

E no Periferia em Movimento, seis campanhas de Natal Solidário nas periferias para quem quiser fazer doações.

Obrigado por chegar até aqui!

Agência Mural tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a quebra de preconceitos sobre as periferias da Grande São Paulo. Essa cobertura da Mural só existe por sua causa, por acreditar na nossa missão e no nosso trabalho.


Edição: Paulo Talarico
Contato: paulo@agenciamural.org.br
Saiba mais em: www.agenciamural.org.br

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